A arte de se cuidar

Quem sou eu? Do que sou capaz? Você já se fez estas perguntas? Se sim, então seja bem vindo ao nosso blog...aqui vamos trocar ideias de autoconceito, de amor próprio e encontrar formas de enfrentar o sofrimento cotidiano...fique à vontade!

A MISSÃO do NAC

A Missão do NAC é:
Desenvolver assessoria, reflexões, oficinas e projetos de cuidado e de formação que promova a integração de pessoas, empresas e comunidades no regaste da missão, dignidade e da cidadania, contribuindo para diminuição da exclusão.





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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

A Família , por Mari Elaine Leonel Teixeira

Parte do artigo: "UMA PROPOSTA DE PROTOCOLO DE ATENDIMENTO PARA ACOLHER FAMÍLIAS DE CRIANÇAS COM DIFICULDADES ESCOLARES INSCRITAS NO CENPE" - Revista Doxa Vol 16 - 2012

A família é um tipo especial de sistema, segundo Minuchin, Colapinto e Minuchin (1999), com uma estrutura - conjunto de regras invisíveis que interagem na família -, com padrões de funcionamento, ou seja, formas de interações que a família repete implicando regras implícitas ou não que organizam a estabilidade e a mudança (regulando e/ou autorizando seus membros a se relacionarem: como, quando e com quem).
A inter-relação familiar mostra-se intensamente importante, pois não se trata de um modo de funcionar isolado. Trata-se um conjunto de mecanismos do sistema familiar que pode gerar repetições, pois trazemos inscrições de influências da família de origem (pai e mãe), antepassados (avós, tios, primos) e isso supõe certa continuidade histórica que carrega em si crenças, tradições, comportamentos, cultura, etc.
A família tem passado, ao longo dos tempos, por transformações decorrentes das mudanças sociais. Na pós-modernidade há diversificada constituição familiar, formada apenas por filhos, por mãe e filhos, pai e filhos, união estável de mulheres, união estável de homens, por interesses comuns, dentre outros.
O conceito ideal de família, segundo o ECA (BRASIL, 2004) – Estatuto da Criança e Adolescente -, está relacionado muito mais com a função que ela exerce do que com sua estrutura ideal. O propósito da família é o de suprir as necessidades primárias “[...] à sobrevivência de seus membros, ou seja, segurança, alimentação e um lar - ao desenvolvimento – afetivo, cognitivo e social – e ao sentimento de ser aceito, cuidado e amado.” (MACEDO, 1994, p.64).
A família pode ser considerada o sistema que influencia o desenvolvimento dos seus membros e que opera por meio de padrões transacionais. Ligados uns aos outros como unidades emocionais, o funcionamento de cada um afeta automaticamente o dos demais (MINUCHIN; COLAPINTO; MINUCHIN, 1999).
 O sistema familiar, a fim de desempenhar as diversas funções, diferencia-se por meio dos subsistemas, os quais podem se formar por geração, sexo, interesse ou por função, como: esposo-esposa, mãe-filho, filhos-filhos. Os subsistemas se organizam com diferentes níveis de relações e hierarquias orquestrados pelas fronteiras. As fronteiras são regras que protegem e definem quem participa e como participa do sistema, sendo classificadas como: rígida ou desligada, nítida ou clara e difusa ou emaranhada (MINUCHIN, 1990).
Para Macedo (2001), a função das fronteiras é a de permitir que seus membros se desenvolvam. Quando as fronteiras são rígidas, trata-se de uma família desligada com uma comunicação pobre e autoritária. Quando se trata de fronteiras emaranhadas, reproduz uma família aglutinada com pouca diferenciação, com uma comunicação muito intensa, o que dificulta a autonomia de seus membros, instalando, desse modo, os conflitos.
Esses conflitos apresentados pela família, chamados de sintomas, não são considerados, na abordagem sistêmica, propriedades de um indivíduo. Os sintomas são contextualizados e entendidos como produto ativo da sua rede relacional de pertencimento desde o biológico, emocional, cultural. São vistos como recurso que possibilita a solução das crises, em que a família, caso busque ajuda, tem a oportunidade de resignificá-los e transformar suas relações de modo a torná-las saudáveis.
Quando os conflitos do casal se cronificam, apresentando dificuldades em suas negociações, evidenciadas pelo estresse, e os pais utilizam um dos filhos como recurso para desviar ou afastar a tensão, Minuchin (1990), chama de tríade ou triângulos.  Para esse autor, os triângulos são a base de todo sistema emocional. Quando a tensão aumenta uma maior quantidade de pessoas interagem formando circuitos emocionais triangulares interdependentes, aumentando os aspectos fusionais que lhes permitem aliviar os problemas de seu próprio subsistema.
O que vai permitir o desenvolvimento da diferenciação do sistema familiar é a mutualidade, que Minuchin; Calapinto e Minuchin (1999), entendem ser a qualidade que os indivíduos têm positivamente e valorizada sobre si, que desenvolve o reconhecimento mútuo dessas qualidades no outro, habilidades indispensáveis na relação humana. São os subsistemas com fronteiras nítidas que definem os caminhos que a família utiliza para tomar decisões, manter o controle, harmonizar, diferenciar-se ou instalar o conflito.
O conceito de diferenciação de Kerr e Bowen (1998), ocupa lugar central na terapia familiar. Diferenciação é a capacidade de funcionar de forma autônoma, de manifestar a flexibilidade relacional da melhor forma possível, de tolerar a angústia e passar o mais desembaraçadamente possível pelas provas e tensões inevitáveis. A pessoa mais diferenciada é aquela com discernimento mais funcional, capaz de separar o que é seu e o que é do outro. Para que o desenvolvimento familiar funcional ocorra, é necessário preencher algumas condições, tais como: membros da família relativamente diferenciados, níveis reduzidos de ansiedade e bons contatos emocionais entre os pais e as famílias de origem.
O padrão de relacionamento da família e o modo de aprender de cada indivíduo são construídos ao longo de sua convivência, formando esquemas que vão predominar na organização do sujeito e influenciá-lo na leitura de mundo, ou seja, a história, os mitos, as lealdades, os mandatos e os temas da família vão interagir no ciclo vital desse sistema e determinar padrões de funcionamento que dão origem ao que Fernandez (1990, p.116), entende por “ Modalidade de aprendizagem”.
Para essa autora, a aprendizagem é uma articulação entre emoção e cognição constituídas no âmbito familiar. O modo como se autoriza as diferenças, como legitima as escolhas e ainda como favorece um ou outro mecanismo de aprendizagem aponta para alguns questionamentos: Como cada família lida com o novo? Como lida com o segredo? Como se comunicam com o conhecido ou desconhecido? Valoriza as perguntas? Dá espaço para o pensar? Aceita as divergências? Estimula a curiosidade?
Nisso consiste a Modalidade de Aprendizagem, que seria a maneira pela qual cada grupo familiar se aproxima (ou se afasta) do saber. Segundo a mesma autora, essa modalidade seria passada de pai para filho, determinando assim, como as gerações mais novas vão se relacionar com o conhecimento. “A modalidade opera como uma matriz que está em permanente reconstrução e sobre a qual vão se incluindo as novas aprendizagens.”, (FERNANDEZ, 1990, p.116).
 As funções parentais, como acolher, transformar e significar as comunicações emocionais de limites e senso de realidade são movimentos relacionais básicos que imprimem o sentido do pertencimento e da diferenciação. As bases emocionais seguras, propiciadas pela família, constroem o pertencimento tão indispensável para um equilíbrio no desenvolvimento da criança e do próprio relacionamento familiar. Mas aprender supõe também poder diferenciar-se do grupo de origem e construir suas próprias experiências. E para isso o sujeito precisa ser autorizado pelos pais/família. No equilíbrio entre o pertencer e o diferenciar-se é que a criança pode encontrar seu espaço para o desenvolvimento cognitivo, emocional e social (MATURANA, 2001).
As mudanças sociais ocorridas na contemporaneidade implicaram transformações nas estruturas econômicas, sociais e culturais com maiores exigências nas habilidades produtivas. Essas mudanças também se refletiram nas famílias. A mulher passou a ter maior participação no mercado de trabalho, delegando parte dos seus papéis ao sistema escolar, o que aumenta, consequentemente, as expectativas em relação ao desempenho escolar dos filhos. Assim, quando uma criança apresenta alguma dificuldade na aprendizagem escolar, gera na família grande ansiedade em relação ao seu futuro.
No que se refere à conceituação do termo “dificuldades de aprendizagem”, a revisão bibliográfica demonstrou não haver um consenso. Algumas definições encontradas apontam que a origem do sintoma da aprendizagem pode estar ligada à origem cognitiva, neste caso seria uma dificuldade, segundo a Polity (2001).  No Distúrbio, a origem pode ser de causa neurológica ou genética. Quando se tratar de um Problema de Aprendizagem a origem pode ser emocional, implicando o processo de construção do conhecimento que ocorre na interação do individuo com seu meio, seja na família, na escola e na sociedade.  De acordo com Rolfsen e Martinez, Dificuldade de aprendizagem é a divergência no processo de aprendizagem entre o que a criança é capaz de aprender potencialmente e o que ela efetivamente realiza em sala de aula (ROLFSEN; MARTINEZ, 2008).
A equipe de profissionais do CENPE reconhece a complexidade do trabalho com crianças que apresentam dificuldades de aprendizagem escolar e busca aprofundar sua pesquisa nas áreas do conhecimento que contribuem para a compreensão dos fatores que levam às dificuldades de aprendizagem tais como: neurologia, terapia da família, psicanálise. Neste trabalho, utilizaremos o termo dificuldade de aprendizagem escolar para as crianças que procuram o nosso atendimento, pois acreditamos não ser possível diferenciar se a criança apresenta uma dificuldade ou um distúrbio de aprendizagem antes de uma avaliação. Assim, compartilhamos a visão de Capellini et al. (2008 p.96), quando diz que “[...] há um grande número de crianças que apresentam dificuldades para aprender e isto não necessariamente pode significar um sinal da existência de um transtorno de aprendizagem específico ou o distúrbio de aprendizagem.”
Quando as expectativas das famílias em relação à aprendizagem dos filhos não são correspondidas, os pais têm dificuldade de entender como uma criança que se mostra esperta, inteligente e ativa possa apresentar dificuldades na escola. Em nossa prática empírica, constatamos que as dificuldades das crianças em relação à aprendizagem trazem à família muita insegurança, além de propiciar conflitos nas interações dos pais ora com a escola, ora com o filho, acusando as crianças, inclusive, de preguiçosas, como se elas agissem de má vontade. Tal situação pode gerar, também, desarmonia entre o casal que culpa um ao outro, havendo, em geral, divergência no modo de auxiliar seus filhos, o que provoca sofrimento e ansiedade na família.
Macedo (2008, p.198), chama a atenção para que os profissionais que lidam com essas questões, fiquem atentos para o fato de que:

apontar tais dificuldades requer habilidade que nem a criança nem a família sejam vistas como culpadas pelos mesmos [...] o problema tem que ser visto em termos mais globais: que condições levaram a situação a adquirir as características que apresenta no momento.

Essa visão nos ajuda a questionar a necessidade de dividir com a rede social o peso pela carga da responsabilidade de educar que é cobrado dos pais, tornado um fardo muito pesado. Observa-se nas considerações de Santos e Macedo (2008, p.178) que para os pais “[...] não é mais possível agir no autoritarismo e simplesmente usar a própria experiência acumulada.” O autor acrescenta ainda “[...] o quanto é preciso usar a experiência como capacidade de enfrentamento para saber o que fazer no aqui e agora da relação educativa [...]”; haja vista que os filhos, na contemporaneidade, têm, diante dos avanços tecnológicos e a internet, um saber que confronta o saber dos pais, exigindo um exercício maior desses nas práticas educativas na família.
Nesta mesma perspectiva, verificamos que o professor, na instituição escolar, tem sido, segundo Escobar e Pimentel (2008, p.325), “[...] ora enaltecido como a maior vítima do processo de escolarização, ora culpabilizado pelos fracassos, especialmente entre crianças e jovens pertencentes às camadas de maior vulnerabilidade social.”
Concordamos com Rabelo (2008, p.312), quando diz que “[...] vivemos um momento em que as instituições como as famílias se deterioram e se desestruturam com muita facilidade.” face às exigências de sucesso escolar, especialmente como garantia de sustentabilidade e ascensão social.
Acreditamos que a visão sistêmica nos ajuda a criar espaços mais eficazes e respeitosos dos valores da família, ampliando nosso olhar para os acontecimentos que se apresentam, uma vez que tem seu foco no contexto das interações, no processo em que essas interações se desencadeiam e na relação dos sujeitos, auxiliando os profissionais a intervir junto às famílias, contribuindo para suas mudanças no modo de funcionar. 
Ainda abre espaços para que a família possa pensar e refletir sobre suas experiências, sentimentos, condições e escolhas, o que fortalece os laços afetivos e auxiliam no aprendizado, além de possibilitar o desenvolvimento da habilidade do dialogo para que as negociações, a busca de acordos e consensos transcorram com o menor nível de conflito possível e garantam relações mais amorosa e saudáveis, ajudando assim, as crianças? a saírem da condição de autoestima rebaixada que muitas vezes nos apresentam.

Revista Brasileira de Psicologia e Educação - Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Ciências e Letras de AraraqUara - Vol 16 - 2012.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Ensaio sobre o livro de Wimer Bottura, Ciúme  pela  Fabiana Abi Rached de Almeida
 
ENSAIO SOBRE O CIÚME

Um homem, prestes a se mudar de sua cidade natal por causa de um bom emprego, aborta seus planos em função de uma viagem ao exterior oferecida por seus pais prestimosos. Um marido zeloso poupa sua esposa de qualquer “tarefa”, tornando-a sua dependente. Uma esposa sente muita raiva do sucesso do marido. Dois irmãos vivem em “pé de guerra”, disputando a atenção dos pais. Um namorado vigia constantemente a namorada e tem sonhos freqüentes de que ela o está traindo. Uma namorada provoca / estimula o ciúme do namorado numa tentativa de mantê-lo exatamente por esse sentimento como se isto fosse uma prova de amor. Uma profissional competente coloca seu cargo numa empresa em risco porque cria confusões e intrigas entre colegas com medo de que algum deles tome seu cargo. Duas grandes amigas põem seu relacionamento à prova quando uma delas começa a namorar.

Histórias como essas são muito comuns e tem como motor principal o ciúme. O ciúme, tido como algo normal nas relações humanas, é constantemente fator de stress, brigas, culpabilizações, etc., causando uma má qualidade de vida. Alertamos desde já: o ciúme deve ser, na medida do possível, tratado!     

Uma das obras de estudo do NAC é o livro de Wimer Bottura, Ciúme: entre o amor e a loucura (2003). O livro de Bottura tem uma linguagem fácil e traz exemplos muito ricos de como o ciúme se manifesta nas diferentes esferas da vida afetiva, familiar, profissional. E, principalmente, alerta-nos para a gravidade do assunto, o ciúme é um elemento pernicioso e destrutivo que não deve ser aceito como algo natural nas relações humanas.

De acordo com Bottura, nós temos uma educação e uma cultura baseada no ciúme, por isso, estes tipos de manifestações são relativamente aceitos como algo de nosso cotidiano, como demonstração de amor e apreço. Mas isso não é verdade e a atitude mais coerente é nos perguntarmos os porquês do ciúme para que não mais nos machuquemos e também não machuquemos as pessoas ao nosso redor. Nas palavras de Bottura: “Nesses últimos vinte anos, principalmente pela vivência profissional, pude comprovar que um dos maiores sofrimentos humanos é causado pelo ciúme (2003, p. 15)”; “O ciúme funciona como um remédio que faz mais mal do que a própria doença a ser curada” (2003, p.16).  

Mas, o que é de fato o ciúme? Será mesmo que o ciúme é uma manifestação do amor? Nos dicionários de língua portuguesa, inglesa, alemã e francesa, o ciúme tem como sinônimos, de forma geral, os termos: inveja, competição, ambição, rivalidade, zelo, cólera, etc. Segundo Bottura, o ciúme é um sentimento espectro da emoção medo, que pode se misturar às características da raiva (como diz Adalberto Barreto “onde tem medo tem raiva e vice-versa”). Pois, se o medo perdura, o organismo irá associá-lo à raiva e se encarregará da defesa do indivíduo. E se a raiva não resultar na solução da ameaça, aparecerão comportamentos mais bem elaborados e aí um castelo de ciúme será construído, bem mais difícil de ser resolvido e mesmo decodificado.

O ciúme pode se manifestar nas diversas formas de controle sobre o outro; pode se manifestar também na tentativa de causar ciúme no outro, como forma de tentar amarrar o parceiro pelo ciúme. Às vezes, manifesta-se em maridos com comportamentos alterados em relação à esposa depois do nascimento do primeiro filho. Mesmo em esposas que não suportam ver o sucesso de seus maridos e vice-versa. Entre mães e filhas quando ocorre competição entre elas. Entre irmãos que disputam a atenção dos pais, tornando-se pessoas possessivas e dependentes.

Mas o ciúme pode também estar disfarçado de “boas intenções”,         que, na verdade, geram dependência e culpa nos envolvidos e escondem um medo terrível do abandono. Por exemplo, muitas vezes, por trás das atitudes de um marido super prestativo, bem intencionado, que advinha todos os desejos da esposa, há um homem que teme a independência da mulher. Muitas vezes, a mãe devotada e superprotetora pode usar suas boas intenções para manipular seus filhos.

Assim, por mais prejudicial que seja, o ciúme aparece em nossas relações cotidianas e muitas vezes o aceitamos como algo próprio da natureza humana. Mas, Wimer Bottura alerta, as manifestações de ciúme em pessoas adultas raramente são normais: “Quando comecei a pesquisar sobre o tema, acreditava na existência de um ciúme normal, e no meu primeiro livro – Filhos Saudáveis – cheguei a falar de certa naturalidade deste sentimento. Hoje, no entanto, diante de um conhecimento mais amplo a respeito do assunto e de sua gravidade, sou forçado a admitir que raramente as manifestações de ciúme são normais nas pessoas adultas”. (2003, p.32).

Claro que, em crianças, o assunto muda um pouco de foco. Por exemplo, um bebê recém-nascido desconhece a realidade objetiva e é desprovido de intencionalidades, principalmente de se voltar contra alguém. Ele pensa apenas em assegurar sua sobrevivência. A mesma coisa pode acontecer em relação ao ciúme entre irmãos. Dependendo da diferença de idade entre eles, não podemos considerar o ciúme do mais velho como algo doentio, pois ele ainda não dispõe de recursos cognitivos para a diferenciação das atitudes do irmão mais novo. 

No entanto, quando o irmão mais velho apresenta uma diferença de idade significativa em relação ao mais novo ou já apresenta uma personalidade estruturada (por volta dos oito anos), a existência do ciúme poderá evidenciar alguma alteração na estrutura familiar. E, nesse caso, são os adultos que sinalizam de forma errônea a realidade ou seus próprios sentimentos – às vezes, demonstrando de fato a preferência pelo filho mais novo.

De acordo com Bottura, o ciúme, a não ser na criança, tem muita possibilidade de ser uma manifestação de doença. Às vezes, pode não ser a própria doença, mas provavelmente será um sintoma.  

O que é normal é o medo da perda perante a possibilidade de uma perda afetiva. Lógico que as pessoas se sentem inseguras com as perdas e demonstrem seu medo por isso. O problema começa quando a expressão desse medo não é valorizada pelo outro.

A falta de respostas, apoio ou esclarecimentos de dúvidas num relacionamento contribuem para que se alimentem sentimentos destrutivos, como rivalidade, inveja, competição, rancor, vingança, etc. Se uma pessoa, por algum motivo, demonstra o medo de ser excluída da vida de alguém e não encontra compreensão ou amparo em relação ao que está sentindo, num momento posterior, sem respostas, ela passará a agir com um comportamento típico de ciumento, perdendo toda sua espontaneidade.

 O ciumento age conforme sua própria insegurança e começa a desconfiar, manipular, jogar uns contra outros, reprimir o comportamento do outro, fazer ameaças e assim por diante. E é por isso que tais comportamentos, fundamentados no ciúme, não devem ser aceitos como normais: “Podemos dizer que o ciúme é freqüente, porém não é normal!” (BOTTURA, 2003, p.33).       

A anormalidade é determinada, muitas vezes, pela falta de estímulos objetivos para isso. Ou seja, da relação pais e filhos até a relação entre irmãos, casais e amigos, observamos que o ciumento parte de distorções de interpretação da realidade para fortalecer e justificar seu raciocínio e dar continuidade as suas atitudes de ciúme.

A pessoa enciumada acredita que é proprietária do outro; crê que o outro tem a obrigação de incluí-la e todas as situações de sua vida, mesmo porque pensa que, na primeira oportunidade, será excluída dessa relação.

O ciumento distorce tanto a realidade, confia tanto em suas fantasias, que termina por criar uma série de comportamentos que comprovem diariamente, para ele mesmo, que está sendo jogado para fora de um relacionamento.  

De forma nenhuma, queremos condenar a pessoa que sente ciúme, mas alertá-la para os possíveis boicotes que faz em sua própria vida; alertá-la para a importância de olhar para esse ciúme procurando suas origens e possíveis soluções. Nesse sentido, alertamos para a importância do autoconhecimento e consequentemente do autocuidado, que podem ocorrer de diversas formas (terapias, relaxamentos, conversas sinceras com as pessoas envolvidas, etc). Quando convivemos com as pessoas, é nossa responsabilidade termos, na medida do possível, noção das consequências de nossas atitudes.

E você, já sofreu com o ciúme de alguém? Sofre por ter ciúme de alguém? Como você lida ou lidou com a situação?    

  


segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Wimer Bottura – Agressões Silenciosas, o contágio pela comunicação (2009).



Dentre todos os animais, o homem é o que tem período de infância mais longo. O início da vida, fora do corpo da mãe, em contato direto com o mundo, é uma fase muito especial e diferente de todo o resto da vida. Pois, nesse período, permanecer vivo é uma tarefa que depende de outro animal, o filhote dificilmente se desenvolve dependendo apenas de si mesmo. O homem, por exemplo, precisa de aproximadamente cinco anos para conseguir sobreviver por si mesmo, caso aconteça uma situação na qual ele fique isolado e abandonado à própria sorte.
Nós dependemos de outra pessoa para fornecer água, alimento, higiene, proteção, etc. ao nosso corpo. Dependemos também de outro ser humano para construir e fazer funcionar nossas habilidades mentais correspondentes ao nosso convívio social. Os principais recursos para a construção da mente nos primeiros anos de vida é o contato físico e a linguagem. Recursos esses que devem ser fornecidos a nós por meio de outro ser humano.
Em função de nossa longa infância e a dependência que nutrimos dos outros, tendemos a sentir, nessa fase, o isolamento e o abandono como ameaças de morte iminentes e que podem levar ao pânico e ao terror. O terror pode levar à loucura, por exemplo. Assim o contato físico é fundamental para desligar o medo de abandono e solidão, no mínimo pelo tempo que a criança demora a aprender a linguagem (RIECHELMANN, 2009).
Desenvolver a linguagem significa ter dentro da mente um conjunto de símbolos que se utiliza para formar dentro de si um “modelo do real”. Mas os primeiros símbolos ensinados são as caras e bocas da linguagem corporal percebidas pela criança. Uma criança percebe um olhar, um gesto diferente daquilo que se quer dizer, por exemplo. Essas caras e bocas são acompanhadas pelos sons produzidos pela mãe (ou por outra pessoa que exerça a função de mãe). Nas palavras de Riechelmann: “... quando conseguimos incorporar essa capacidade da linguagem, colocamos dentro de nós o símbolo que representa esse outro humano que está fora de nós; esse símbolo é a palavra “mãe”, que representa esse outro humano que está dentro de nós a percepção e a memória do som/imagem/tato/cheiro/sabor do humano que está lá fora”.
Assim se macho e fêmea são dados pela natureza, homem e mulher são construídos pela sociedade. Ninguém nasce pronto, nem se faz sozinho. É pela “mãe” que, na infância, também foi construída pela sociedade, que agora será o representante social que irá nos conduzir. Esse ser humano tem o poder de construir uma parte de um “eu” em nós; essa é a primeira relação de poder que experimentamos na vida.
No entanto, essa tarefa não é uma construção unicamente delegada à mãe. Participam significativamente dessa empreitada: o pai, o avô e a avó, os irmãos, as tias e os tios, os primos e primas, os amigos e colegas... E mais para frente: o professor, o líder religioso, os patrões, chefes, subordinados, etc. que também exerceram poder na relação que estabelecem conosco.
Nesse cenário de relações sociais, pensadas enquanto relações de poder, é que podem existir as agressões que ocorrem pela comunicação muitas vezes implícita em gestos, caras e bocas, em silêncios, isto é, expressões verbais e não verbais e que corroem as relações. As agressões silenciosas “ocorrem na maioria das famílias e causam ferimentos e podem não ser percebidas de forma totalmente consciente pelas pessoas que praticam a agressão. “Há uma violência constante e grave nas relações cotidianas, muitas vezes disfarçada por atitudes aparentemente inocentes, enganosamente alegre ou bem intencionadas” (BOTTURA, 2009, p.19).
Frequentemente associamos a violência à televisão, à urbanização crescente e desregrada, às drogas, à marginalização, ao sexo, etc., mas raramente relacionamos a violência ao ambiente familiar, à educação e de como o indivíduo é preparado para o uso abusivo e agressivo da cultura. Não estamos nos referindo à violência explícita das agressões domésticas, mas ao que costuma ocorrer antes das agressões físicas. Referimo-nos ao uso abusivo da autoridade, à desaprovação velada, ao silêncio pernicioso, às piadas desqualificantes, aos comentários depreciativos que se investem de boas intenções, etc.
“Sob o nome de educação, entretanto, esconde-se a maior rede de tortura existente em nossa terra: as necessidades essenciais do ser humano são desrespeitadas, crianças, homens e mulheres destratados. Em nome da educação, as agressões físicas e as mais sutis agressões ao indivíduo são usadas com muita fartura e o ser humano vê retirado seus prazeres, sua alegria e sua motivação, com a promessa de, no futuro, quando for adulto ou velho, ou até numa próxima encarnação, ter suas perdas recompensadas. Tenta-se transformar o ser humano naquilo que ele nunca foi, não pode ser e nunca será: assexuado e insensível”. (BOTTURA, 2009, p. 20).
Todo homem traz dentro de si a pontencialidade de ser feliz, sentir prazer e conviver em paz. Todo homem é composto por desejos, emoções e medos. O medo, diante de uma ameaça, como uma emoção, gera respostas de defesa, dentre eles, a raiva (onde tem medo tem raiva). Nossos antepassados, por desconhecimento, estimularam o pior lado dessa emoção. Assim, a relação com a família, com os educadores e sociedade leva o indivíduo durante a vida a distorcer a agressividade, que vem do medo, criando obstáculos para aquilo que é natural no ser. Por isso muita violência velada é transmitida pela família nas entrelinhas de sua comunicação e, às vezes, por meio de conselhos, avisos, cuidados, que nos impedem de entrar em contato com nossas necessidades. Muito do que é vivido nas relações familiares podem nos levar a adoecer: “Emocionar-se, inclusive, passou a ser sinal de fraqueza, sentir e expressar sentimentos virou algo vergonhoso”. (BOTTURA, 2009, p.22).
O desenvolvimento da linguagem verbal contribuiu para a obstrução da compreensão da linguagem corporal plena e a expressão da emoção passou a ser considerada uma fraqueza e isso até tem razão de ser, pois há estratégias, artimanhas e jogos para dominar os outros que tem ver com dissimulação de emoções. Por isso que às vezes negar os sentimentos passa a ser visto como algo bom. As pessoas que agem sobre o predomínio da razão, controladas e controladoras dão a impressão de serem superiores e mais realizadas, no entanto geralmente não tomam contato com as agressões silenciosas de que são vítimas ou das que produzem.

Em verdade, sentir e expressar emoções se tornou uma ameaça ao sistema de domínio de poucos sobre muitos: ameaça à estabilidade da família, da escola e demais instituições, que sempre quiseram transformar o homem em modelos ideais. Essas tentativas, intencionais ou não intencionais, de transformar o homem trouxeram uma gama de agressões silenciosas. Essas agressões provocam também emoções ao mesmo tempo em que reprimem essas emoções e como consequencia causam alterações profundas no equilíbrio bioquímico e psíquico do indivíduo, provocando doenças e mal estar.
Claro que a educação assim com a família e demais instituições são importantes, a intenção aqui é termos um olhar de aprimoramento das relações, clarificando certas atitudes agressivas que poderão ser evitadas. Mas, para tanto, antes precisamos ter ciência do que são essas agressões. Esse conhecimento pode ser até doloroso, pois é preciso rever conceitos internos, encarar as dores e as angústias das relações mais íntimas que temos; mas a ilusão da ignorância, sem dor, poderá ser muito mais prejudicial: “É preciso que conheçamos os nossos medos, assim como nosso sofrimento, para que possamos, ao identificá-los, buscar soluções para os problemas dos quais somos avisados pela emoção medo. Não é errado ter medo, é ruim ter motivos para se ter medo, continuar com motivos para permanecer amedrontado. Não é errado sentir raiva, é ruim ficar com raiva, transformá-la em mágoa, ressentimento, hostilidade, vingança e agressões silenciosas” (BOTTURA, 2009, p.27).
As agressões silenciosas podem ser não verbais e sem a obrigatoriedade de ser declaradamente mal intencionadas. “Essas agressões não são percebidas conscientemente pelos interlocutores menos sensibilizados e, por isso, são mais perigosas” (BOTTURA, 2009, p.23). O perigo é decorrente do aspecto repetitivo, frequente e sutil dessas agressões.
A linguagem não verbal ou corporal passa informações, que são quase sempre percebidas de forma inconsciente. Na verdade, essas informações antes de serem uma agressão ao interlocutor, representam agressões ao próprio emissor, que por não se sentir agredido, não tem a percepção de estar agredindo o outro.
Se pensarmos bem, veremos que a maioria das agressões é praticada por pessoas bem intencionadas, pessoas que demonstram sua confiabilidade, pois são pessoas íntimas e acima de qualquer suspeita: “A virulência, o poder destrutivo das agressões silenciosas, reside exatamente aí, no silêncio, na confiança, e principalmente na aparente falta de perigo”. (BOTTURA, 2009, p. 24).
A importância de perceber e corrigir esse tipo de agressão é por que sabemos, hoje, que a realidade é diferente para os indivíduos que foram apresentados ao mundo de uma forma melhor, tendo respeitadas e supridas suas necessidades essenciais, sua sexualidade, sua liberdade de expressão, suas manifestações emocionais autênticas e seu direito de comunicar suas ideias, têm a possibilidade de obter mais êxito na vida. Aqui o êxito tem que ver com realização pessoal.
O potencial agressivo do qual falamos tem que ver com a conseqüência de toda violência que o homem sofreu e teve que reprimir em função de sua sobrevivência. A violência e a raiva que não são expressas, não são elaboradas e estarão sempre presentes em nossas atitudes. Mesmo a mais bondosa das mães poderá ser uma violentadora...
Muito se fala de violência sexual explícita como o estupro, por exemplo, no entanto pouco se fala do abuso sexual implícito na educação, que fere a dignidade, a honra e violenta o direito de expressão da sexualidade, principalmente da sexualidade feminina. Nesse sentido, é também uma violência a discriminação do feminino, tido como inferior, “aliás, uma agressão muito mais frequente que o estupro e muito mais danosa do que se tem percebido e manifestado – aliás possivelmente uma das causas do estupro.” (BOTTURA, 2009, p.25).
Nesse sentido é importante estar atento às agressões que podemos vivenciar, mas também atentos às agressões que praticamos. Coisas simples, como: pensar antes de falar algo que possa magoar o outro, estabelecer diálogos sem sentidos duplos, o autoconhecimento, entre tantas outras coisas podem ajudar a evitar esse tipo de comunicação agressiva. Vocês concordam?

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

NAC APOIA LIVRO DE AIRTON BARRETO!



O NAC, Núcleo de Autocuidado, apoiou, em parceria com a Professora Miriam Barreto, o livro de José Airton Paula Barreto, lançado no VI Congresso Brasileiro, III Encontro Internacional e II Encontro Brasileiro de Pesquisa de Terapia Comunitária, realizado em SANTOS/SP, no período de 31/08 a 03/09/11.
José Airton Barreto é irmão de Adalberto Barreto, criador da Terapia Comunitária Integrativa, e um dos idealizadores do Projeto Quatro Varas e Emaús Vila Velha, amor e justiça. Vale à pena conhecer um pouco da história desse grande homem, advogado de Direitos Humanos condecorado, que dedicou sua vida à luta pela igualdade, cidadania e justiça junto à população do Pirambu, uma grande favela do nordeste brasileiro (Fortaleza, Ceará).
Nós do NAC temos grande respeito por Airton e convidamos você, leitor, a conhecer um pouco de sua trajetória.
Abraços da equipe!

terça-feira, 19 de julho de 2011


Queridos amigos,
Hoje, dia 19 de julho de 2011, o NAC, Núcleo de AutoCuidado, comemora dois anos de vida! Gostaríamos de celebrar e comemorar com todos vocês a alegria de estarmos “pulsando” através de nossos encontros, reuniões e estudos. Sabemos que nossas vitórias são os frutos de nosso trabalho sempre em parceria e devem ser comemoradas com as pessoas que sempre nos apoiaram e acreditaram em nossos esforços: aos familiares, aos amigos, os novos e velhos amigos, aos participantes das oficinas, à Prefeitura de Araraquara, enfim... que todos vocês recebam com afeto nossa gratidão nessa data tão querida!

sexta-feira, 1 de julho de 2011

NAC ANUNCIA: RECADO DA PROFESSORA MIRIAM BARRETO!

Movimento Integrado de Saúde Mental Comunitária do Ceará
CENTRO DE ESTUDOS DA FAMÍLIA E DA COMUNIDADE
PROMOVEM
CURSO PARA FORMADORES EM TERAPIA COMUNITÁRIA INTEGRATIVA
Ocas do Índio
Morro Branco – Ceará
13 a 17 de julho/2011

Você que deseja INICIAR, APERFEIÇOAR E/OU RECICLAR SUA PRÁTICA COMO FORMADOR EM TERAPIA COMUNITÁRIA INTEGRATIVA DURANTE OS MÓDULOS E/OU INTERVISÕES, registre na sua agenda este curso.
Público-Alvo: Facilitadores em Terapia Comunitária Integrativa nos módulos e/ou intervisões.




PROGRAMAÇÃO: Durante o curso vamos conversar sobre:
• O facilitador como mediador e agente de transformação: o que isso significa na prática da Formação em TCI - desde o planejamento até a apreciação das atividades desenvolvidas nos módulos e intervisões.
• A ética na formação em Terapia Comunitária Integrativa: formadores reflexivos e críticos para formar terapeutas comunitários reflexivos e críticos com responsabilidade cidadã.
• A integração e articulação da equipe de facilitadores para o desenvolvimento dos módulos e intervisões: quando todos pensam da mesma maneira, provavelmente alguns não estão pensando.
• Pés no chão e coração na utopia: o que é processo na formação e na prática da Terapia Comunitária.
• A qualidade e a organização da formação em TCI: limites e possibilidades dessa linda aventura humana
• Estratégias para trabalhar: o acolhimento, a restituição, contextualização, o mote, rituais de encerramento (agregação) e outros procedimentos da prática da TCI utilizando os eixos teóricos: resiliência, enfoque sistêmico, teoria da comunicação, antropologia cultural e pedagogia de Paulo Freire.
• Instrumento de impacto e manutenção da pratica da TCI: nos diferentes contextos e populações: o que é de responsabilidade do pólo formador e o que cabe ao terapeuta comunitário em formação.
• As fichas de registros como instrumento de trabalho: módulos e intervisões.
• Partilha de experiências: Interrrogações, duvidas e estratégias no processo da formação em TCI (módulos e intervisões).
• Vivências Terapêuticas


FACILITADORES: Adalberto Barreto e Miriam Rivalta Barreto


INFORMAÇÕES: Raquel Abreu – (85) 99873210 raquelasc@yahoo.com.br


PERÍODO: 13 a 17 de julho/2011


13/7/11 - Translado: Fortaleza – Ocas do Índio – 14h30m
17/7/11 – Translado: Ocas do Índio – Fortaleza – 14h


INVESTIMENTO: Parcelado em 4 vezes: 1+3.


APARTAMENTO COM VENTILADOR:

Duplo: R$ 1.113.00 - por pessoa.

Triplo: R$ 1.013 - por pessoa.

Quad:R$ 913,00 - por pessoa.


APARTAMENTO CLIMATIZADO:

Triplo:R$ 1.113,00 - por pessoa.

Quad:R$ 1.o13 - por pessoa.

INCLUI: Certificado, Livro: Guia da prática da Terapia Comunitária Sistêmica Integrativa, diário de campo da avaliação de impacto da TCI, translado coletivo (Ida e Volta), hospedagem e alimentação (café da manhã, almoço e jantar), lanche (manhã e Tarde), 1 massagem anti estresse, pasta, crachá, bloco de anotações, caneta e noite de confraternização com forro pé de serra.


CONTA PARA DEPÓSITO:
Caixa Econômica Federal: C/C: 6705-2 Agência: 031 op: 003 – Ocas do Índio Ltda
Banco do Brasil: C/C: 11827-3 Agência: 3515-7 – Ocas do Índio Ltda


Contar com a sua participação é tudo de bom...

Tem alegria,companheirismo,confiança, carinho, diálogo, aventura...
FICAREMOS MUITO FELIZES COM A SUA PRESENÇA!

quarta-feira, 11 de maio de 2011

A TERAPIA COMUNITÁRIA SISTÊMICA INTEGRATIVA (TCI) como ferramenta para o tratamento da alexitimia.




(Texto de Maria Cristina Bergonzoni Stefanini e Mari Elaine Leonel Teixeira. O artigo completo foi publicado no livro TERAPIA COMUNITÁRIA: Tecendo redes para a transformação social, saúde, educação e políticas públicas - Organização de Marilene Grandesso e Miriam Rivalta Barreto, 2007).



A década de 90 foi considerada a década do cérebro. O cérebro entendido com um sistema, como um hardware, passou a ser escrutinado e pesquisado como a base biológica da cognição.
Mais recentemente o cérebro foi identificado também como a base biológica das emoções. É o que afirma o neurologista e neurobiólogo António Damásio sustentando que nossos juízos intelectuais e morais são determinados, para além da lógica interna do cérebro, pelas emoções que experimentamos. Como compreender que uma pessoa disponha de um bom quociente intelectual, mas seja incapaz de tomar decisões sensatas para organizar sua trajetória, a longo prazo, sua carreira ou sua vida familiar. Isso indica o papel central das emoções na tomada de decisão, domínio de expressão por excelência do juízo, da inteligência e da deliberação. Assim, há uma inteligência das emoções. Diz Damásio que as emoções não representam, como pensava Descartes, o lado obscuro do espírito humano, mas, ao contrário, nos ajudam a tomar boas decisões.
A ideia de que determinadas emoções podem inundar as células cerebrais de hormônios e neurotransmissores que permitem controlar a resposta diante de situações difíceis é um dos pilares da biopsicologia, um termo usado por cientistas para definir o estudo científico da biologia do comportamento e processos mentais. Refere- se ao intricado relacionamento entre psicologia e biologia, que é chamado de medicina corpo-mente ou psiconeuroimunologia. É a confirmação do que diz a neurologista Candace Pert citada por Susan Andrews: cada mudança de humor é acompanhada por uma cachoeira de “moléculas de emoção”- hormônios e neurotransmissores – que flui através do corpo, afetando todas as células. Cada célula humana contém cerca de 1 milhão de receptores para receber essas substâncias bioquímicas. Assim quando estamos tristes, nosso fígado está triste, nossa pele está triste e assim por diante, ou seja, todos os órgãos podem entrar no mesmo estado de tristeza. Mas o contrário também é verdadeiro.
Daniel Goleman, professor da Universidade Harvard, nos Estados Unidos foi quem desenvolveu o conceito de inteligência emocional. Ele diz que nosso cérebro emocional foi desenhado para ajudar o indivíduo a sobreviver no meio ambiente primitivo da Pré-história. Mas continua funcionando da mesmíssima maneira no mundo moderno extremamente complexo, o que pode nos levar a desequilíbrios. Se as nossas emoções fogem ao nosso controle, nós nos tornamos incapazes de analisar as informações corretamente e até mesmo de responder a elas com eficiência. Por isso o controle sobre os sentimentos é mais importante hoje do que em qualquer outra época.
A inteligência emocional é um aprendizado permanente. Assim, até uma criança com sérios problemas de relacionamento pode superá-lo e chegar a idade adulta com um alto grau de empatia, ou seja, capaz de entender os sentimentos alheios e de expressar os seus próprios.
É ainda Damásio que indica existir uma diferença entre emoção e sentimento. Na linguagem corrente, os dois termos são considerados sinônimos, o que mostra uma estreita conexão que os une, porém definidos de maneira mais precisa uma emoção é um conjunto de reações corporais a certos estímulos. Quando temos medo, o ritmo cardíaco se acelera, a boca seca, a pele empalidece e os músculos se contraem – reações automáticas e inconscientes. Os sentimentos, por sua vez, surgem quando tomamos consciência destas emoções corporais, no momento em que estas são transferidas para certas zonas do cérebro onde são codificadas sob a forma de uma atividade neuronal. Então as modificações fisiológicas fazem com que reconheçamos isso como medo, ou outro estado qualquer. Um estado emocional é uma espécie de “mapa pessoal” gerado a partir de nossas experiências. Os sentimentos surgiriam de uma leitura de mapas em que estão marcadas as alterações emocionais, são como reproduções instantâneas de nosso estado corporal. Assim registrado, um sentimento correspondente a um mapa pode ser reavivado “do interior”, em certa medida, sem a intervenção do corpo. É quando nos lembramos de um episódio agradável e sentimos de novo a mesma emoção ou evocamos um episódio desagradável e sentimos uma emoção desconfortável ou uma reação idêntica a que expressamos na ocasião.
Então concluímos que, para sentir algo, nós precisamos do cérebro e para “nos liberarmos” de coisas desagradáveis também precisamos dele. A consciência de si é construída a partir da imagem do corpo, que decorre das marcas deixadas nele pelas sensações (frio, calor etc...) e emoções (agradáveis ou desagradáveis). Com isso elaboramos uma imagem de nosso corpo e de suas reações em função de constrangimentos externos. Essa imagem é cerebral e pode ir se repetindo ou se impondo em todo novo acontecimento.
Os seres humanos desenvolveram uma consciência de si porque o corpo precisa verificar sempre se o seu equilíbrio (homeostase) está sendo respeitado. O cérebro deve receber informações atualizadas sobre o estado do corpo a fim de regular os mecanismos vitais. Diante de um perigo, o corpo reage por meio de um conjunto de reações fisiológicas, que o cérebro converte em atividade neuronal. É preciso aceder à atividade neuronal e tomar consciência dela para agir.
Para o organismo, é a única maneira de sobreviver num meio em perpétua mudança. As emoções, sem sentimentos conscientes, não bastam para promover um real equilíbrio do corpo e da mente.
As pesquisas sobre as emoções e o funcionamento cerebral ainda são escassas. Mas se no futuro existirão medicamentos que agirão sobre sistemas celulares ou moleculares que intervêm nas emoções, hoje eles ainda não estão disponíveis. O que a ciência faz é investigar como o cérebro lida com esse fluxo constante de sinais emocionais e ao indivíduo cabe buscar a consciência deste mesmo fluxo em si.
Se as emoções são também funções cerebrais como o raciocínio e a memória, podemos esperar encontrar indivíduos que pensam e raciocinam de maneira comum tanto quanto indivíduos cujas emoções se expressam também de maneira comum, ou podemos encontrar indivíduos cujas funções lógicas estejam comprometidas (por exemplo, os indivíduos que sofreram lesões cerebrais, sejam elas quais forem) ou indivíduos cujas funções emocionais revelam-se insuficientes ou comprometidas. É o caso da alexitimia.
A alexitimia está sendo descrita como um transtorno que indica a incapacidade de identificar as próprias emoções. As emoções estão presentes na forma de sensações (sinais físicos e/ou comportamento), mas é como se a pessoa não pudesse tomar consciência delas, nem expressá-las. Numa situação tensa demais, essas pessoas caem em lágrimas ou explodem em cóleras, única expressão de que são capazes. Eram identificados como pessoas sem senso de humor, taciturnas.
Segundo Berthoz, quem sofre de alexitimia tem dificuldade em estabelecer laços, em identificar-se com que os interlocutores sentem, em perceber quais reações seu discurso provoca nelas.
Essas pessoas têm pouca capacidade para sondar os próprios estados afetivos e fogem das ocasiões em que algum aspecto seu possa ser reconhecido, isto é, fogem de relações pessoais com pessoas mais seguras ou autocentradas e das psicoterapias ou discussões em grupo. São em geral identificados como pessoas sem senso de humor, taciturnas, hipocondríacas, e acusados de não terem criatividade e flexibilidade, mas é comum encontrar hoje também indivíduos aparentemente alegres e extrovertidos como uma forma de encobrimento dessa dificuldade.
Um estudo realizado para investigar as características da atividade cerebral dessas pessoas, a equipe da Dra Berthoz identificou anomalias em uma zona responsável pela comunicação entre a área das emoções e a zona cerebral que toma conhecimento dessas emoções, analisa-as e exprime-as.
A falta de “mentalização” das emoções é a dificuldade encontrada por alguém que é alexitímico. É a dificuldade de “leitura” dos mapas pessoais construídos a partir das sensações corporais. Uma espécie de “dislexia emocional”.
A origem dessa dificuldade pode ser buscada na infância, quando a criança começa a conhecer o mundo a partir de suas experiências corporais. A presença dos pais ou adultos é importante para ir ajudando a criança a identificar o que está sentindo, nomear e organizar essas experiências em mapas mentais para associá-los a outras experiências no futuro. Isso se faz através da comunicação e da palavra. Por exemplo, quando a criança chora, a mãe logo diz: Ah! Você está com fome? Quando um adolescente tem uma crise de raiva, o adulto pode ajudá-lo a identificar o que está na origem daquela atitude.
Este método corresponde ao mesmo trajeto cortical. No cérebro a informação passa dos centros de percepção das emoções que é o sistema límbico, localizado na região mais antiga e profunda do cérebro, aos centros de categorização, de reflexão, de linguagem e de percepção auditiva, situados no córtex, a parte externa do cérebro. (Vale lembrar que o córtex é o que nos distingue dos animais. É a parte mais elaborada do sistema nervoso central, onde se processam as atividades corticais superiores como andar, falar e pensar). As trocas entre mãe e filho são fundamentais para a criação de um bom “banco de emoções”, isto é, um vasto repertório de sensações associadas a palavras ou a pensamentos. Se, por um motivo qualquer, como depressão, fragilidade emocional, imaturidade, carência afetiva e cultural, os pais ou os adultos que cuidam da criança (berçarista ou inspetores nos ambientes de internato), não dão um número suficiente de indicações verbais para as emoções que as crianças sentem, elas podem ficar com um déficit de palavras, refletindo carência de sentimentos identificados. Quando adultos é provável que se refiram constantemente às suas sensações corporais sem conseguir passar ao plano dos estados mentais do corte e da linguagem, como diz Berthoz.
Como são identificadas as pessoas com esse transtorno? A equipe do Instituto Montsouris (Paris) observa a atividade cerebral de pessoas submetidas a imagens que provocam reações positivas ou negativas. Antes disso solicitam que as pessoas respondam a um questionário contendo questões como: você costuma soltar a imaginação? Quando se vê diante de um problema de relacionamento, você o evita? Você tem a impressão de que deveria falar mais sobre o que sente?
Os resultados dos questionários revelam que os alexitímicos têm uma pontuação muito baixa e o desenho de suas atividades cerebrais é diferente, ativando áreas mais primitivas do cérebro.
Ainda não se sabe como aparece essa disfunção apresentada no giro do cíngulo que tem um papel importante na tomada de consciência das próprias emoções, servindo de ponte entre o sistema límbico e o córtex cerebral. Há um excesso de conexões inúteis bloqueados no giro do cíngulo.
Supõe-se que os alexitímicos sejam destituídos de um canal de comunicação entre estas conexões do giro do cíngulo e o córtex, porque esse canal não foi construído pelas conexões neurais na idade infantil.
Hoje é consenso entre os psiquiatras que emoções não expressas verbalmente terminariam aflorando em forma de sintomas físicos.
Embora não possamos identificar dentre as pessoas que participam da Terapia Comunitária Sistêmica Integrativa (TCI), aqueles que possuem alexitimia, podemos observar a grande dificuldade que essas pessoas têm para exprimirem o que sentem através da linguagem.
Dizem os neurologistas que as terapias clássicas não funcionam para os alexítimicos. O que funciona são as terapias em grupo que estimulam a construção de um repertório de estados mentais identificados e ampliados. A TERAPIA COMUNITÁRIA SISTÊMICA INTEGRATIVA (TCI) se apresenta como um recurso favorável para isso porque é um espaço de escuta, onde cada um, através da partilha de suas experiências de vida é acolhido no grupo. Busca através dos questionamentos, auxiliar os indivíduos do grupo na reorganização do seu discurso e na resignificação do seu sofrimento através da identificação de suas emoções, restabelecendo e ampliando o poder da palavra.
O papel do terapeuta comunitário, na indicação de Adalberto Barreto (2005), é o de reforçar a dinâmica interna do individuo; suscitar o sentimento de união e identificação com os valores culturais; tornar possível a comunicação entre diferentes formas do “saber popular” e do “saber cientifico”; estimular a participação através do diálogo e da reflexão. Ele ressalta a semelhança com o papel do educador definido na pedagogia de Paulo Freire, onde “...ensinar, é o exercício do diálogo, da troca, da reciprocidade, ou seja, um tempo para falar, para escutar, um tempo para aprender e ensinar”. (FREIRE apud BARRETO, 2005)
A TCI caracteriza-se como uma prática pós-moderna para Grandesso (2004), uma vez que a conversação terapêutica se organiza no interjogo de perguntas e respostas compartilhada entre os participantes e na decisão do tema-problema a ser trabalhado. Nesta, assim como em outras práticas pós-modernas, a competência do terapeuta está em organizar o contexto da conversação e cuidar do acordo proposto pelas regras especificas da TCI colocadas sempre no início de cada sessão, para que a conversação e a escuta se restrinja ao compartilhar das histórias vividas, permitindo dar visibilidade às formas que as pessoas encontraram para transformar seus sofrimentos em aprendizados. A proposta não é a resolver os problemas apresentados, mas formar redes solidárias de fortalecimento da autoestima das pessoas e da comunidade. Os recursos que a abordagem sistêmica fornece á TCI criam mecanismos de conversação que estimulam mudanças no comportamento através da identificação das suas emoções, visto que sua prática implica promover um contexto de acolhimento, reconhecimento das competências, com ênfase na construção de significados, no modelo dialógico e no poder generativo da linguagem (quando a pessoa fala do seu sentimento, ela está organizando o pensamento) possibilitando e ampliando novas narrativas fator importante no auxilio aos alexitímicos.
Aos que sofrem de alexitímia, a TCI possibilita a identificação de suas emoções quando os terapeutas buscam auxiliar o grupo repetindo as palavras, ajudando a nomear suas emoções, através da utilização de algumas técnicas apropriadas como as sugeridas por Fiorelli, Malhadas e Moraes (Fiorelli, Malhadas e Moraes apud Santana, 2004) e adaptadas por nós.

Técnica Procedimento
Reafirmação Repetir com as palavras de quem falou
Parafrasear Repetir com palavras diferentes, sempre empregando termos simples e objetivos
Escuta Ativa Decodificar, com suas palavras, a mensagem para verificar a sua compreensão.
Expansão Repassar a mensagem, elaborando e ampliando para melhor a compreensão
Ordenação Ajudar a ordenar as idéias (tempo, espaço, tamanho, prioridade,etc)
Agrupamento Combinar as idéias
Estruturação Colaborar na organização do pensamento fazendo uma síntese
Fracionar Dividir as idéias em partes
Generalizar Identificar os aspectos gerais
Esclarecer Formular perguntas para clarificar aspectos relacionados com uma idéia
Aprofundar Fazer perguntas para aprofundar a compreensão do problema

Além disso, o terapeuta pode apresentar algumas perguntas básicas para iniciar o movimento de expressão do sentimento como:

Qual é a sua dor?
De onde vem seu sofrimento?
Que nome você daria para isto que acabou de falar?
Como é que você faz para lidar com isto?

A comunicação é um sistema de canais múltiplos em que estão implícitos vários indicadores que podem se diferenciar de uma cultura para outra. Uma boa comunicação e a compreensão de uma mensagem implicam olhar o contexto, saber que as partes não se somam, mas se entrelaçam o tempo todo, desejando ou não, identificar os sinais emitidos ou velados, através de falas, olhares, mímicas, de gestos, do silêncio e inclusive pela atitude de ausência. O terapeuta precisa estar atento porque a comunicação é uma ação conjunta e nós estamos envolvidos na coparticipação. Ao ajudar as pessoas em sofrimento, não são as palavras pronunciadas ou que escutamos no grupo que promoverá a mudança, mas o significado que ela traz para nós.
Finalmente, a terapia comunitária ainda exerce sobre a alexitimia um papel de “imunologia espiritual”, conforme sugere Espinosa, o de opor aos afetos negativos, como a tristeza e o medo, outros positivos como a alegria e a esperança, definidos como forma de paz interior.

BIBLIOGRAFIA

ANDREWS, S. Emoções em moléculas. Revista Superpapo: conversas bacanas com gente interessante. Entrevista por Caco de Paula. Edição de Sérgio Gwerca. Nov. 2004.
BARRETO, A. de P. Terapia Comunitária passo a passo. Gráfica LCR, Fortaleza-CE, 2005
BERTHOLZ, S. Os segredos das emoções. Revista de Psicologia, psicanálise e conhecimento: Viver Mente e Cérebro. Sientific American – ano XIII, nº 143 – Dezembro de 2004.
DAMÁSIO, A. O Erro de Descartes, Companhia das Letras
FIORELLI, J. O.; MALHADAS, M.J.; MORAES, D.L. Psicologia na Mediação: inovando a gestão de conflitos interpessoais e organizacionais. São Paulo: Editora LTR, 2004
GOLEMAN, D. Inteligência Emocional: a teoria revolucionária na mediação: inovando a gestão de conflitos interpessoais e organizacionais. São Paulo. Editora LTR, 2004.
GRANDESSO, M. Terapia Comunitária: uma prática pós-moderna crítica. Trabalho apresentado em mesa redonda no VI Congresso de Terapia Familiar, Florianópolis, SC – julho de 2004.
SANTANA, H. D. Participação, comunicação e facilitação: pilares para uma transformação. Artigo apresentado no site da ABRATECOM – em maio de 2005.



terça-feira, 21 de dezembro de 2010


quarta-feira, 20 de outubro de 2010

A IMPORTÂNCIA DO AUTOCUIDADO NO AMBIENTE DE TRABALHO


Os acidentes do trabalho não estão relacionados apenas às possíveis lesões físicas do indivíduo no ambiente de trabalho, relacionam-se também aos sofrimentos emocionais ocorridos, muitas vezes, em função do estresse. Na verdade, para a medicina oriental, as dores físicas e emocionais normalmente estão atreladas.
Como doença profissional ou do trabalho, entendemos:
a) Doença profissional, assim entendida a produzida ou desencadeada pelo exercício do trabalho peculiar a determinada atividade, constante da relação de que trata o Anexo II do Decreto nº 2.172/97;
b) Doença do trabalho, assim entendida a adquirida ou desencadeada em função de condições especiais em que o trabalho é realizado e com ele se relacione diretamente, desde que constante da relação de que trata o Anexo II do Decreto nº 2.172/97.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) alerta que até 2020 a depressão passará da 4ª para a 2ª colocada entre as principais causas de incapacidade para o trabalho no mundo
No mundo, estimam-se que 121 milhões de pessoas sofram com a depressão - 17 milhões delas somente no Brasil; e, segundo dados da OMS, 75% dessas pessoas nunca receberam um tratamento adequado.
A depressão, no ambiente de trabalho, relaciona-se normalmente ao estresse. A tensão emocional e física, sentida com frequência, leva o organismo a um estado de estresse que, como a maioria das enfermidades, não ocorre de repente. O estresse se instala lentamente e quando nos damos conta é mais difícil de reverter o processo.
Os principais sintomas do estresse são: ansiedade, desânimo, angústia, desmotivação, insônia, depressão, tensão muscular, cansaço físico e mental, desinteresse pelas coisas da vida, mau-humor, baixa-estima, falta de vitalidade, irritação, desinteresse sexual, apetite exagerado ou falta de apetite, dificuldade de concentração, perda ou diminuição da memória. A causa do estresse está relacionada ao desequilíbrio ou desarmonia emocional e ou mental.
Caso esses estados mentais e emocionais não sejam regularizados ou amenizados, fazendo com que o organismo retorne ao seu equilíbrio, haverá uma somatização desses sintomas em problemas físicos, como: dores de cabeça, dores musculares, problemas de coluna, gastrite, úlcera, mau funcionamento do intestino, pressão alta ou baixa, baixa resistência imunológica, derrame cerebral, infarto do miocárdio, disfunções sexuais, entre outros.
Neste sentido, alertamos para a importância do autocuidado tanto para o tratamento como para a prevenção desses sintomas. O autocuidado pode ser alcançado de forma individual e / ou coletiva, e os métodos para a prevenção e superação do processo de estresse englobam:
· Autoconhecimento: identificar as fontes de estresse.
· Exercícios de relaxamento, respiração e consciência corporal.
· Meditação, visualizações.
· Atividades físicas: ginástica, esportes.
· Atividades artísticas: artes plásticas, música, dança, teatro.
· Hobbes, lazer.
· Orientação nutricional.
· Terapias em geral.
· Integração filosófica, espiritual ou religiosa.
Fique atento (a) tanto aos seus sintomas, necessidades físicas e emocionais quanto das pessoas que o (a) rodeiam, pois a qualidade de vida não é um luxo, mas uma questão de saúde.