A arte de se cuidar

Quem sou eu? Do que sou capaz? Você já se fez estas perguntas? Se sim, então seja bem vindo ao nosso blog...aqui vamos trocar ideias de autoconceito, de amor próprio e encontrar formas de enfrentar o sofrimento cotidiano...fique à vontade!

A MISSÃO do NAC

A Missão do NAC é:
Desenvolver assessoria, reflexões, oficinas e projetos de cuidado e de formação que promova a integração de pessoas, empresas e comunidades no regaste da missão, dignidade e da cidadania, contribuindo para diminuição da exclusão.





nucleodeautocuidado@gmail.com





quinta-feira, 23 de setembro de 2010

NAC PROMOVE OFICINA NO SESC




Essa oficina pretende promover a qualidade de vida a partir de diferentes técnicas corporais e demais trabalhos, como dança circular, entre outras. A relevância da realização deste projeto na comunidade é alertar as pessoas para a importância do autocuidado, que envolve perceber o próprio corpo, perceber suas emoções, dificuldades, superações para a prevenção de doenças, depressões; combater o isolamento, o stress; resgatar a força interior; entre outros. Assim, percebemos de forma eficaz a melhora da autoestima e a melhora da qualidade de vida das pessoas que se propõem a isso.

http://www.sesc-sp.com/sesc/programa_new/versao_impressao.cfm?ATIVIDADE_ID=12&UNIDADE_ID=32

segunda-feira, 20 de setembro de 2010


O NAC, Núcleo de AutoCuidado, tem como objetivo promover a qualidade de vida por meio do autocuidado. Nossa proposta envolve oficinas práticas realizadas em grupo. O trabalho tem como princípio resgatar a autoestima individual, fortalecer o grupo como rede de apoio e solidariedade, combater o isolamento, amenizar os sintomas do stress, resgatar valores culturais, incentivar e compreender a pluralidade e a diversidade, entre outros.
Temos como eixo norteador a valorização do ser humano de forma respeitosa dentro de sua história de vida e seu contexto, tanto em suas vitórias como em suas falhas; respeitando credos, culturas, etnias, diversidade sexual, etc. Nosso trabalho se volta muito mais para a compreensão do indivíduo enquanto ser social, biológico, psíquico do que para análises e diagnósticos. Não que isso não seja importante, pelo contrário, até incentivamos. No entanto, nosso trabalho segue por outro caminho.
Nós do NAC trabalhamos de forma interdisciplinar e integrada. Este trabalho pode ser resumido em três eixos fundamentais: técnicas corporais, como o Cuidando do Cuidador (bionergética), técnicas de relaxamento, dança circular; formas lúdicas, como dinâmicas de grupo integrativas; a Terapia Comunitária e Terapia de Família, cujos eixos teóricos principais são: teoria da comunicação, resiliência, pensamento sistêmico.
A formação multidisciplinar do grupo proporciona esta abertura. Nossas formações agregam: serviço social, psicologia, letras, terapia de família, técnicas de relaxamento, dinâmicas de grupo, especializações em psicologia organizacional e RH, terapia corporal, entre outras, e têm como eixo comum as formações em Terapia Comunitária e Cuidando do Cuidador.
Ao nosso fazer (prática), agregamos leituras de diferentes vertentes de obras que o grupo elege como parte da bibliografia de estudo. Acreditamos que todas as linhas de análise e demais áreas do saber (cultura, arte, comunicação, antropologia, etc), desde que respeitem o indivíduo e o considerem como parte integrante de seu meio, são válidas para o nosso aprendizado. A fim de compartilhar estes estudos, alguns dos textos lidos são comentados aqui no BLOG. Temos como intuito dialogar com os autores e com o público. Assim esperamos, com a ajuda de vocês, multiplicar a qualidade de vida, o autocuidado e o saber.
Estamos à disposição para quaisquer esclarecimentos!
Abraços da equipe!

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

VIOLÊNCIA NO CORPO E NA MENTE



Violência no corpo e na mente - Diálogo com Wagner Rama.
Este artigo de Wagner Rama compõe o livro, Adolescência pelos caminhos da violência (1998), organizado por Lévisky. O livro é fruto dos trabalhos apresentados no II Encontro Adolescência e Violência: conseqüências da realidade brasileira, realizado em 1996.
Wagner Rama é médico pediatra, psicoterapeuta infantil, pesquisador e docente na área da psicossomática psicanalítica da criança e do adolescente. Seu artigo interessa-nos sobremaneira por trazer a questão do corpo em relação conjunta com a doença orgânica e os processos subjetivos do indivíduo. E mais, como o corpo é violentado até mesmo pelas práticas médicas quando não o encaramos em sua completude (corpo biológico, físico, psíquico, emocional...)
De acordo com o autor, a violência está presente em vários acontecimentos que se dão de forma explícitas e visíveis como, por exemplo, os acidentes, os homicídios, suicídios, brigas, etc; e acontecimentos cujas formas são mais subjetivas, como a violência da discriminação, do preconceito, da exclusão social, chegando até a violência mais sutil, em que inserimos a violência pulsional, expressa por meio dos distúrbios psicossomáticos ou outros transtornos mentais.
Citando Chauí (1982): “existe violência quando um indivíduo ou instituição, através de meios físicos ou psíquicos, impede a manifestação de outro indivíduo na sua singularidade”. Ou seja, a violência é, então, a negação de um sujeito pelo outro, portanto, seria um impedimento ou mesmo uma restrição à manifestação da subjetividade singular de cada sujeito.
Pensando assim, colocamos a violência também num terreno subjetivo, de relações autoritárias e psicossociais, incluindo, principalmente, aspectos políticos e ideológicos, da falta de respeito à diversidade, pluralidade, características fundamentais do ser humano – ou animal humano como quer Wilheim Reich!
A psicossomática psicanalítica tem como conceito fundamental que as somatizações, que podem implicar toda doença orgânica, são vazias de significado na medida em que o significado nos remete ao recalcado, seus substitutos e suas metáforas. Neste sentido, para o autor, o modelo teórico dos mecanismos psíquicos implicados nas neuroses não pode ser transposto para o entendimento dos fenômenos psicossomáticos; por isto, é preciso lançar mão de outros conceitos da metapsicologia, pois não podemos mais deixar de pensar as doenças sem integrá-las no campo da subjetividade e do sujeito.
O modelo biomédico muitas vezes não concebe o indivíduo em sua singularidade, subjetividade e desejos, bem como nega a existência de um inconsciente e sua importância na constituição do sujeito. Com a super especialização da medicina, que privilegia sua sofisticação tecnológica, há um lado bom que é bem vindo; mas há, em contrapartida, uma violência na atividade clínica. Esta violência se refere à negação do indivíduo como um todo; às práticas institucionais com o doente mental; às formas de atendimento ao parto; às crianças hospitalizadas; à falta de compromisso com o aleitamento materno; ou seja, pelo fato de, muitas vezes, ver o ser humano apenas a partir do enfoque biológico: “Não é à toa que hoje vivemos uma verdadeira disseminação de práticas alternativas para a solução de problemas de padecimento humano, para os quais a medicina não tem resposta, não se preocupa ou aborda de forma inadequada, por se fazer cega (ou surda) às questões do sujeito” (RAMA, 1998, p. 66).
Em relação à psicossomática, parece que há um consenso de que o fenômeno psicossomático deve ser separado dos processos neuróticos e psicóticos, colocando a questão do vazio. Isto é, este fenômeno seria uma disfunção do corpo biológico em conseqüência de uma falha na organização pulsional da ordem da falha na inscrição representativa. O aparelho psíquico implica a doença orgânica por não trazer para o terreno das representações as excitações que tem origem no corpo ou no mundo externo. Por isto, o fenômeno psicossomático é resultado de uma falha na inscrição pulsional, colocando-se no limite do impensável, no limite do mental com o somático. Neste sentido, um paciente propenso a somatizar possui estruturas congeladas, esvaziadas de substância e de significação.
De acordo com o autor, a escola francesa de psicossomática associa as somatizações com a depressão essencial e com a neurose de comportamento; senda esta última caracterizada pela pobreza representativa, pela agressividade, impulsividade, ligação ao real e ao atual, ausência de sonhos, lapsos e atos falhos.
A questão da somatização é tão séria que pode ser equiparada, pelo fato de existir uma estrutura comum ou semelhante entre eles, às drogadições, aos comportamentos de risco, à neurose de comportamento, havendo casos de concomitância ou alternância entre essas formações patológicas.
Tais estruturas se assemelham inclusive em relação à origem, “a origem das estruturas com tendências às somatizações (e outras correlatas) estão nos traumas ocorridos nos dois primeiros anos de vida e nas características das relações objetais nestas etapas primitivas” (RAMA, 1998, p. 68).
A tendência à somatização está relacionada à insuficiência nos processos de organização pulsional e aponta três tipos básicos de desarmonia nas relações objetais, que se relacionam às seguintes tendências:
1. Caracterização pela privação. O filho de mãe depressiva, ausente ou deslibidinizada. Grande parte dos casos brasileiros.
2. Caracterização pela instabilidade e inconstância. O filho de mãe impulsiva, agressiva, que vivencia a violência nas relações parentais.
3. Caracterização da mãe que é só presença. O filho não vivencia a ausência ou a falta. A função paterna é ausente e não se organiza a castração.
Além disso, a psicossomática aponta a questão do trauma real como desencadeador de angústia e desafia a estrutura do sujeito, que no caso do somatizador tenderia a deslocar para o somático a pressão pulsional.
Nosso contexto coopera para isto tudo na medida em que há uma proliferação de uma estética marcada pela excitação da violência; na produção científica, um domínio dos métodos cartesianos; etc. Na maioria das esferas da vida e do conhecimento humano, vivemos a hegemonia da ação sobre a reflexão, e a velocidade das satisfações eliminou a vivência da falta. O resultado disto é um empobrecimento da subjetividade imaginária.
Lógico que a desigualdade social e econômica é um pano de fundo muito perverso para este contexto, desembocando em duas realidades perniciosas: a daqueles que tudo têm e a daqueles que nada têm. Os meios de comunicação mostram um mundo onde se tem tudo e na realidade o sujeito não tem nada.
Nas palavras do autor: “Defendo o ponto de vista de que os extremos se tocam, assim os filhos da carência e os filhos da abastança, no que diz respeito à violência são muito semelhantes [...] as coisas fundamentais devem ser apenas suficientemente boas, pois a ausência e a falta vivenciadas em grau suficiente estão na base de uma organização psíquica com boas possibilidades de adaptações às inevitáveis dificuldades da vida, para as quais a criatividade humana ainda é a melhor alternativa contra a violência” (p. 73).
E com esta indicação, encerramos nosso breve diálogo com o Professor: como trazer a criatividade para nossa vida sem que ela fique apenas como um conceito abstrato? Como evitar as somatizações? Como reconhecer a violência e combatê-la? A violência que às vezes é sutil ou aquela que estamos acostumados e nem mais a percebemos como tal.
Acreditamos que essa reflexão não pode nunca se limitar a este texto!